Ofendido


Ofendido

De certa forma, vivemos a era da indústria dos ofendidos.

Duas áreas podem ser utilizadas como ilustração deste fato. Uma delas, o politicamente correto. Se você não usar a palavra eleita para designar tal pessoa/conceito/lugar/escolha, está estabelecida a ofensa. Mesmo que, constantemente, ofendidoas palavras mudem, ou seja, aquela que hoje é a correta, amanhã, já ofende. Outra, a expressão de ensinos bíblicos. Especialmente, nos temas mais polêmicos. Afirmar o que se crê e confessa ofende e agride sensibilidades e visões, nem sempre com contrapontos  e alternativas lógicas para as propostas enunciadas. Estou ofendido. E isto basta.

A indústria da ofensa tem crescido, em grande parte, porque ofender-se dá poder, gera representatividade. Ofender-se ajuda a vencer a discussão, já que, via de regra, tem ficado comum pensarmos mais por meio de emoções do que por palavras e construções lógicas. Então, qualquer palavra que toque uma corda sensível “ofende”, e a discussão continua somente dali para diante. Ou para baixo. Especialmente, se gerar o efeito manada.

Na sociedade fragmentada, muitas vezes, ideologicamente direcionada, tudo, ou quase tudo, ofende.

É evidente que existem situações de ofensa, momentos em que, realmente, somos ofendidos. Mas estamos caminhando para o exagero e o caos nos relacionamentos sociais, potencializados pela virulência descabida nas interações digitais

Felizmente, Jesus Cristo não foi assim. (mesmo tendo motivos, já que tudo de que foi acusado era falso). Imagine se, diante das pessoas famintas que ele alimentou, ele se ofendesse: “quer dizer que vocês estão aqui só porque dou comida,jesus_amai-vos não é? Tá bom, vocês vão ver, não tem mais, então”. Diante dos fariseus: “Quer dizer que vocês, líderes, em vez de ajudar, estão contra mim? Isto é uma ofensa!” Antes de voltar ao Pai, quando os discípulos queriam saber de seu Reino celeste. “Seus ignorantes, não entenderam nada? Assim vocês me ofendem. Não contem mais comigo, estou fora”.

Especialmente, diante dos que o prendiam, diante dos que o maltratavam, diante dos que, injustamente, o pregavam em uma cruz.  Ele tinha 50 mil motivos para ir a Roma processar todo mundo. Mas não fez. Ele foi O ofendido. E, em troca, ofereceu amor.

Seu processo estava definido, e ele o cumpriu até o fim. Cumpriu aquilo para que veio ao nosso mundo, com a finalidade de nos perdão. Isto é, não para se fazer de ofendido, mas para perdoar as nossas ofensas. Dar a oportunidade de vivermos a vida onde emoções são subordinadas a princípios. Por causa desta fé, somos chamados à prática que ofende a mentalidade humana:  ouvir, compreender, ajudar. Perdoar, respeitar…amar. Perdoarmos aqueles que nos têm ofendido.  Para então, nos casos realmente necessários, dar a uma ofensa resposta jurídica.

Na era da indústria de ofendidos, o perdão, que cobre nossa multidão de ofensas, não pode ser fabricado.

É oferecido. De graça. 

(P. Lucas André Albrecht)

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